segunda-feira, 27 de junho de 2011

Definição de Dízimo por Ronan Boechat

Recebi uma mensagem pela internet de um novo convertido ao Senhor Jesus, onde ele pergunta sobre a questão do dízimo. Ele fala:
"Boa tarde! Me converti recentemente numa pequena igreja e já comecei sendo dizimista assim como era meu falecido pai. Entrego o dízimo e oferta com muito prazer, porém, por minha própria leitura bíblica não entendo por que o dízimo ainda existe mesmo depois da nova aliança, sendo ele uma exigência da lei. Não pretendo criar polêmica, mesmo porque não tenho como polemizar, visto que não tenho conhecimento da bíblia, já que sou um iniciante (novo convertido). A minha intenção é apenas de aprender.
Tive oportunidade e alegria em lhe dar a seguinte resposta:
Parabéns, meu irmão, pela sua decisão por Jesus Cristo. Essa foi a decisão mais importante que eu tomei em toda a minha vida, e decisão geradora de outras importantes, maravilhosas e bem-sucedidas decisões.
Começo dizendo que há uma enorme diferença em querer saber e questionar de polemizar. Infelizmente alguns pastores, tesoureiros e administradores de igreja  hoje em dia não gostam de crentes que pensam, que questionam, que desejam aprender, quem questina muito é chamado de subversivo, de problemático, de encrenqueiro  e  outros adjetivos.  É como se crente bom fosse crente mudo, surdo e cego, que aceita as coisas passivamente, sem expressar desejo de entender, aprofundar... aceitando como verdade universal e absoluta o que pastor diz, o que diz a tradição, a pregação, os modismos maquiados de falsa espiritualidade, etc...
Gosto da orientação do Apóstolo Paulo acerca da questão das profecias (na realidade, da pregação, ou seja, entregar o recado/mensagem da parte do Senhor) quando ele diz que deve haver ordem no culto, e que é preciso que os mensageiros de Deus falem um de cada vez, enquanto isso os demais devem julgar (refletir, avaliar, comparar com o texto sagrado, com a mensagem de Jesus, com os ensinos dos apóstolos) toda profecia. Reflexão, pesquisa, questionamento, portanto não tiram a ordem, mas estão perfeitamente em ordem. Certamente sãoparte do "culto racional" pretendido por Paulo.
Polemizar já é outra história...digamos, é a discussão não pela busca do conhecimento e do aprendizado, mas pelo prazer de discutir.
Sobre o Dízimo, era através dele que as tribos sustentavam o templo e aqueles que trabalhavam em prol do culto. E isso não muda da Antiga para a nova Aliança. Aliás, na nova Aliança temos muitas tradições da Antiga Aliança, inclusive os textos sagrados, os livros bíblicos do Antigo Testamento. O Dízimo nos tempos das primeiras comunidades cristãs era o modo mais justo possível da participação dos crentes no sustento da Obra de Deus, no sustento dos que viviam em missão, no sustento dos mais pobres. 10% do pobre equivalia em dignidade e compromisso o mesmo que os 10% do rico.
O Dízimo na nova aliança era um recurso socializado, que era investido na própria comunidade. Não em construção de templos, salários de pastores equivalentes aos de diretores de multinacionais, mas investimento nas pessoas, em pessoas... Veja At 10:42ss. Não havia necessitados entre as primeiras pessoas cristãs. E se a gente lê o livro "História da Cidadania", da Editora Contexto, tem um capítulo que vai falar da contribuição dos primeiros cristãos, um texto maravilhoso, e lá diz que os primeiros cristãos contribuiram muito para a cidadania, pois até por volta do século III (antes do Imperador Constantino) as primeiras comunidades cristãs eram integradas basicamente por pessoas pobres, entre as quais, mulheres, crianças, doentes, gladiadores, escravos, ex-escravos... e ali todos eram alimentados, acolhidos, sustentados... tornavam-se irmãos e irmãs. As comunidades cristãs eram chamadas de "paróquias", paravra de origem grega que quer dizer "casa do pobre", de acolhida e abrigo aos pobres e estrangeiros.
Há um livro do Caio Fábio chamado "A Graça de Contribuir", é o melhor livro sobre dízimo que eu conheço. E ele vai falar do dízimo como Graça, não com legalismo, não como instrumento de troca ou de compra de bênçãos divinas.
O Dízimo na vida da igreja nunca foi apenas dinheiro, mas investimento, um privílégio de se participar da Obra de Deus. Hoje muitos deturpam isso, mas não é porque uns (ainda que sejam a grande maioria, o que eu particularmente não acredito) deturpam o sentido espiritual, bíblico e solidário do dízimo, que a gente vai deixar de falar e praticar do modo correto: dízimo é graça. Não dou o dízimo para comprar ou com interesses em bênçãos divinas; dou o dízimo como sinal de gratidão pelo que o Senhor faz por mim, pelo que o Senhor é para mim. Não é compra de bênçãos, não é pagamento pelos favores divinos, mas ato de gratidão. Só dá o dízimo quem antes deu-se a si mesmo integralmente ao Senhor.
Não damos o dízimo apenas quando temos sobra de recursos, mas regularmente, fielmente. Jesus elogia uma viúva pobre que dá como oferta as poucas moedas que tinha. "Deus mais do que todos, diz Jesus, porque deu tudo o que tinha". Jesus não quer tudo que temos, quer tudo o que somos. Não quer nosso dinheiro, quer nossa vida. Mas quando a gente dá a vida ao Senhor, tudo o que temos passa a estar a serviço do Senhor. Não quer dizer que a gente precise dar tudo lá no altar, como alguns pastores que só falam do poder do mal, dos descarregos, das correntes, da pedição de dinheiro, mas consagrar lá no altar tudo o que temos, e colocar tudo a serviço do Reino de Deus. E ser fiel no pouco e no muito, mas questões éticas e morais, na prática dos mandamentos, do amor ao próximo, e também na entrega dos dízimos.
Mas a Bíblia, no entanto, nos diz que Deus abençoa quem dá/contribui/oferta/entrega o dízimo com alegria. A nossa fidelidade a Deus, à Igreja de Deus e à obra de Deus é certamente uma fidelidade que nos possibilita bênçãos. Por isso a prática do dízimo é graça.
Não veja o dízimo apenas como obrigação, um dever, uma lei... ele é compromisso sim, mas também é privilégio, é ato de gratidão, é confissão de dependência de Deus, é investimento missionário tanto no sustento da Igreja quanto no avanço missionário, é socialização de recursos em prol da manutenção e melhoria da comunidade da fé, e deveria ser também investimento em pessoas, alimento para os sem pão, bolsas de estudo para os mais pobres, cursos de aperfeiçoamento profissional e ministerial, investimento em cidadania, etc... não apenas para o pastor(a), mas para todo o povo de Deus. Nós protestantes temos pastores(as) mas não temos pastores que são sacerdotes (uma espécie de mediadores entre Deus e o povo), pois somos um povo de sacerdotes... Lutero fez a Reforma Protestante do século XVI e esse foi um dos pilares: o sacerdócio universal de todos os crentes.
Desculpe-me a mensagem grande. Mas foi um momento de partilha.
Um grande abraço e votos das mais ricas bênçãos para você, sua família e sua igreja.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Pastor metodista é processado por não reconhecer gay como membro

O mais alto tribunal da Igreja Metodista Unida recentemente negou os pedidos de reapreciação de uma decisão de 2005, que concedeu a um pastor o direito de impedir um homossexual de se tornar um membro da igreja.
“Deixe o resto decisão de onde pode. Alterando as metáforas, não vamos ressuscitar um cavalo morto que, ao que tudo indica, pode ainda ser espancado”, escreveu Ruben T. Reyes em um parecer favorável. “Não há necessidade de reconsiderar, anular ou revogar [a decisão].”
Em 2005, o reverendo Ed Johnson, que foi pastor sênior da South Hill United Methodist Church, emVirginia (EUA), foi colocado em uma licença de ausência involuntária por se recusar a receber um homem gay em sociedade. O homem era um participante na igreja em uma variedade de formas e tentou transferir a adesão de outra denominação para o Morro do Sul Igreja Metodista Unida.
Johnson concordou em continuar a estar no ministério com o homem, mas disse que não iria recebê-lo como membro da igreja.
Mais tarde naquele ano, o Conselho Judicial decidiu em favor da Johnson, restabelecendo-o como pastor e concluindo que os ministros Metodista Unida tem o direito de determinar “a prontidão de uma pessoa para afirmar que os votos dos membros.”
Bispos da UMC (United Methodist Church = “Igreja Metodista Unida”) deixaram claro que a decisão não significa que a homossexualidade é uma barreira para a adesão. Ele apenas afirmou ao pastor o direito de discernir se uma pessoa pode ser recebida como membro.
Desde então, o tribunal tem sido feito em sete casos separados para rever ou reconsiderar a decisão. O Arkansas, Northern Illinois e Minnesota – Conferências Anuais (organismos regionais) – estavam entre aqueles que apresentaram um pedido.
Victoria Rebeck, diretora de comunicação para a Conferência Anual de Minnesota, explica que parte da razão pela qual pediu ao tribunal para rever a decisão foi devido a uma série de alterações feitas na denominação ao longo dos últimos anos.
Órgão supremo, a assembleia legislativa da UMC mudou em 2008 a regra sobre a aceitação de membros: “Um membro em boa posição em qualquer denominação cristã que foi batizado e quem deseja se unir com a Igreja Metodista Unida deve ser recebido como qualquer um baptizado ou um professo membro”. A palavra “será” substituído por “pode”.
Além disso, o Livro de Disciplina de 2008 – Igreja de política e procedimento manual – define a inclusão significa o “envolvimento total de todas as pessoas que preencham os requisitos” para a adesão e liderança em todos os níveis da Igreja, Rebeck apontou.
Independentemente da opinião sobre a decisão de 2005, os membros do Conselho Judicial aprovado em sua decisão na semana passada que o tribunal não é um organismo adequado para mudar a lei da igreja.
“Foi errado para o Conselho Judicial para legislar e, em seguida, seria errado para o Conselho Judicial para legislar agora. Esta questão não pode e não deve ser resolvida por decreto judicial”, disse Jon R. Gray, em seu voto favorável.
"Atualmente",( sempre foi)   a Igreja Metodista Unida considera que a prática homossexual é incompatível com a doutrina cristã. Em maio, o seu corpo rejeitou uma alteração legislativa sobre a inclusão de membros da igreja, que alguns acreditavam que teria exigido que os pastores a aceitar homossexuais abertamente.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Acampadentro!




Você que é Juvenil, não deixe de participar desse grande evento... Venha e traga o teu amigo! 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Bispo João Carlos fala sobre o Evangemed

Pentecostes: Tempo de Restauração

Joel 2.28-32

Quando falamos sobre Pentecostes, imediatamente nos lembramos do ocorrido em Atos 2.1-4 onde fala da descida do Espírito Santo sobre os discípulos. Mas pensando bem, a descida do Espírito Santo não poderia ter vindo num momento mais oportuno. Pois, apesar da Festa de Pentecostes ser uma das principais festas judaicas da época, reunindo várias pessoas de diversas parte do mundo antigo, trazia a lembrança de um período abençoado por Deus, isto é, a colheita do ano todo. O Pentecostes é celebrado 50 dias depois da Páscoa (Libertação) e no calendário cristão é uma data marcante. Esse acontecimento tinha que ocorrer no Pentecostes (Festa da Colheita). Foi a primeira colheita da Igreja depois que o SENHOR derramou do seu Espírito.
O livro do profeta Joel relata um ambiente de seca onde não havia o que colher, onde a fome reinava. Um ambiente totalmente desfavorável para o povo de Deus. Relata também que a relação do povo com Deus estava abalada de tal forma que Deus planeja o castigo por conta do pecado. O profeta chama o povo a se arrepender e voltar para o SENHOR. Deus promete restaurar a sorte de seu povo. O que mais me chama atenção é que no livro de Joel não aparecem vestígios de data e de tempo que o livro foi escrito. Muitos teólogos sugerem algumas datas, mas pensando nisto imagino que essa mensagem veio no Tempo de Deus assim como o Espírito Santo veio no Tempo de Deus em Atos. Quando falamos que Pentecostes é tempo de restauração devemos considerar que:
- Assim como em Atos, a celebração tinha perdido o seu sentido. Tinha se transformado em algo comercial, turística e não uma celebração ao SENHOR Deus como o próprio prediz em Êxodo 23.14: "Três vezes no ano me celebrareis". Deus estava restaurando o verdadeiro motivo da celebração: Ele mesmo. Muitas vezes vamos a igreja sem motivos para celebrar. Precisamos reconhecer que não vamos ao templo celebrar o pregador, o ministério de louvor, o pastor. Vamos ao templo celebrar ao SENHOR Deus. Somente o Espírito de Deus pode nos convencer disso. As pessoas em Atos ouviam as grandezas de Deus em suas línguas maternas (Atos 2.11).  As grandezas de Deus são anunciadas e o motivo de estar ali muda.
- Deus estava restaurando a comunicação com o povo. O nosso Deus é um Deus que fala. O Espírito Santo fala. Ele não é um Deus mudo, mas bastante comunicativo e audível. Mas só o escuta que tem ouvidos para o que Ele quer falar ("Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas" Ap 2.29). Creio que muitas pessoas estavam ali em Jerusalém com o coração sincero e os "ouvidos espirituais" abertos para ouvir Deus falar. Naquele dia, Deus, não somente derramou da sua presença, mas se comunicou com seu povo. Lembramos de Joel: "... vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões." A promessa, depois do derramar do Espírito, inicia restaurando o que falamos e ouvimos (profecia), restaura o coração (símbolo por onde passa nossos sentimentos), restaura nossa alma (os sonhos que vem da nossa mente, onde segundo a cultura greco-romana, é a nossa alma), restaura o nosso modo de ver a vida (nossa visão). Veremos como Deus vê e não como as circunstâncias nos mostram.
- Não há acepção de pessoas. O Espírito Santo é derramado sobre quem Ele quer. Só há um pré requisito: coração quebrantado diante do SENHOR. Tanto em Atos como em Joel, Deus não deixa ninguém de fora. Servos, servas, mulheres, homens, crianças, jovens, idosos. Todos recebem. Neste ato Deus restaura o poder da igualdade e da comunhão. No poder do Espírito ninguém é melhor do que o outro. Somos todos um.
Quando deixamos Deus fazer da forma que Ele quer, a colheita será sempre abundante. Quando celebramos o Pentecostes estamos celebrando o SENHOR Deus que nos libertou da escravidão e que restaura a nossa sorte. Se estivermos abertos ao Espírito Santo seremos restaurados por Ele. E não precisa ser no dia de Pentecostes, pois o Tempo de Deus restaurar nossa vida passou de um tempo determinado para todos os dias.

domingo, 12 de junho de 2011

Revista IstoÉ - Revelações sobre traições e horrores aplicados a Metodistas nos porões da ditadura





No primeiro dia foram oito horas de torturas patrocinadas por sete militares. Pau de arara, choque elétrico, cadeira do dragão e insultos, na tentativa de lhe quebrar a resistência física e moral. “Eu tinha muito medo do que ia sentir na pele, mas principalmente de não suportar e falar. Queriam que eu desse o nome de todos os meus amigos, endereços… Eu dizia: ‘Não posso fazer isso.’ Como eu poderia trazê-los para passar pelo que eu estava passando?” Foram mais de 20 dias de torturas a partir de 28 de fevereiro de 1970, nos porões do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo.
O estudante de ciências sociais da Universidade de São Paulo (USP) Anivaldo Pereira Padilha, da Igreja Metodista do bairro da Luz, tinha 29 anos quando foi preso pelo temido órgão do Exército. Lá chegou a pensar em suicídio, com medo de trair os companheiros de igreja que comungavam de sua sede por justiça social. Mas o mineiro acredita piamente que conseguiu manter o silêncio, apesar das atrocidades que sofreu no corpo franzino, por causa da fé. A mesma crença que o manteve calado e o conduziu, depois de dez meses preso, para um exílio de 13 anos em países como Uruguai, Suíça e Estados Unidos levou vários evangélicos a colaborar com a máquina repressora da ditadura. Delatando irmãos de igreja, promovendo eventos em favor dos militares e até torturando. Os primeiros eram ecumênicos e promoviam ações sociais e os segundos eram herméticos e lutavam contra a ameaça comunista. Padilha foi um entre muitos que tombaram pelas mãos de religiosos protestantes.
O metodista só descobriu quem foram seus delatores há cinco anos, quando teve acesso a documentos do antigo Sistema Nacional de Informações: os irmãos José Sucasas Jr. e Isaías Fernandes Sucasas, pastor e bispo da Igreja Metodista, já falecidos, aos quais era subordinado em São Paulo. “Eu acreditava ser impossível que alguém que se dedica a ser padre ou pastor, cuja função é proteger suas ovelhas, pudesse dedurar alguém”, diz Padilha, que não chegou a se surpreender com a descoberta. “Seis meses antes de ser preso, achei na mesa do pastor José Sucasas uma carteirinha de informante do Dops”, afirma o altivo senhor de 71 anos, quatro filhos, entre eles Alexandre, atual ministro da Saúde da Presidência de Dilma Rousseff, que ele só conheceu aos 8 anos de idade. Padilha teve de deixar o País quando sua então mulher estava grávida do ministro. Grande parte dessa história será revolvida a partir da terça-feira 14, quando, na Procuradoria Regional da República, em São Paulo, acontecerá a repatriação das cópias do material do projeto Brasil: Nunca Mais.
Maior registro histórico sobre a repressão e a tortura na ditadura militar (leia quadro na pág. 79), o material, nos anos 80, foi enviado para o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), organização ecumênica com sede em Genebra, na Suíça, e para o Center for Research Libraries, em Chicago (EUA), como precaução, caso os documentos que serviam de base do trabalho realizado no Brasil caíssem nas mãos dos militares. De Chicago, virá um milhão de páginas microfilmadas referentes a depoimentos de presos nas auditorias militares, nomes de torturadores e tipos de tortura. A cereja do bolo, porém, chegará de Genebra – um material inédito composto por dez mil páginas com troca de correspondências entre o reverendo presbiteriano Jaime Wright (1927 – 1999) e o cardeal-arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, que estavam à frente do Brasil: Nunca Mais, e as conversas que eles mantinham com o CMI.
Somente em 1968, quatro anos após a ascensão dos militares ao poder, o catolicismo começou a se distanciar daquele papel que tradicionalmente lhe cabia na legitimação da ordem político-econômica estabelecida. Foi aí, quando no Brasil religiosos dominicanos como Frei Betto passaram a ser perseguidos, que a Igreja assumiu posturas contrárias às ditaduras na maioria dos países latino-americanos. Os protestantes, por sua vez, antes mesmo de 1964, viveram uma espécie de golpe endógeno em suas denominações, perseguindo a juventude que caminhava na contramão da ortodoxia teológica. Em novembro de 1963, quatro meses antes de o marechal Humberto Castelo Branco assumir a Presidência, o líder batista carismático Enéas Tognini convocou milhares de evangélicos para um dia nacional de oração e jejum, para que Deus salvasse o País do perigo comunista. Aos 97 anos, o pastor Tognini segue acreditando que Deus, além de brasileiro, se tornou um anticomunista simpático ao movimento militar golpista. “Não me arrependo (de ter se alinhado ao discurso dos militares). Eles fizeram um bom trabalho, salvaram a Pátria do comunismo”, diz.
Assim, foi no exercício de sua fé que os evangélicos – que colaboraram ou foram perseguidos pelo regime – entraram na alça de mira dos militares (leia a movimentação histórica dos protestantes à pág. 80). Enquanto líderes conservadores propagavam o discurso da Guerra Fria em torno do medo do comunismo nos templos e recrutavam formadores de opinião, jovens batistas, metodistas e presbiterianos, principalmente, com ideias liberais eram interrogados, presos, torturados e mortos. “Fui expulso, com mais oito colegas, do Seminário Presbiteriano de Campinas, em 1962, porque o nosso discurso teológico de salvação das almas passava pela ética e a preocupação social”, diz o mineiro Zwinglio Mota Dias, 70 anos, pastor emérito da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, da Penha, no Rio de Janeiro. Antigo membro do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), que promovia reuniões para, entre outras ações, trocar informações sobre os companheiros que estavam sendo perseguidos, ele passou quase um mês preso no Doi-Codi carioca, em 1971. “Levei um pescoção, me ameaçavam mostrando gente torturada e davam choques em pessoas na minha frente”, conta o irmão do também presbiteriano Ivan Mota, preso e desaparecido desde 1971. Hoje professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Dias lembra que, enquanto estava no Doi-Codi, militares enviaram observadores para a sua igreja, para analisar o comportamento dos fiéis.
Segundo Rubem Cesar Fernandes, 68 anos, antropólogo de origem presbiteriana, preso em 1962, antes do golpe, por participar de movimentos estudantis, os evangélicos carregam uma mancha em sua história por convidar a repressão a entrar na Igreja e perseguir os fiéis. “Os católicos não fizeram isso. Não é justificável usar o poder militar para prender irmãos”, diz ele, considerado “elemento perigoso” no templo que frequentava em Niterói (RJ). “Pastores fizeram uma lista com 40 nomes e entregaram aos militares. Um almirante que vivia na igreja achava que tinha o dever de me prender. Não me encontrou porque eu estava escondido e, depois, fui para o exílio”, conta o hoje diretor da ONG Viva Rio.
O protestantismo histórico no Brasil também registra um alto grau de envolvimento de suas lideranças com a repressão. Em sua tese de pós-graduação, defendida na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), Daniel Augusto Schmidt teve acesso ao diário do irmão de José, um dos delatores de Anivaldo Padilha, o bispo Isaías. Na folha relativa a 25 de março de 1969, o líder metodista escreveu: “Eu e o reverendo Sucasas fomos até o quartel do Dops. Conseguimos o que queríamos, de maneira que recebemos o documento que nos habilita aos serviços secretos dessa organização nacional da alta polícia do Brasil.” Dono de uma empresa de consultoria em Porto Alegre, Isaías Sucasas Jr., 69 anos, desconhecia a história da prisão de Padilha e não acredita que seu pai fora informante do Dops. “Como o papai iria mentir se o cara fosse comunista? Isso não é delatar, mas uma resposta correta a uma pergunta feita a ele por autoridades”, diz. “Nunca o papai iria dedar um membro da igreja, se soubesse que havia essas coisas (torturas).” Em 28 de agosto de 1969, um exemplar da primeira edição do jornal “Unidade III”, editado pelo pai do ministro da Saúde, foi encaminhado ao Dops. Na primeira página, há uma anotação: “É preciso ‘apertar’ os jovens que respondem por este jornal e exigir a documentação de seu registro porque é de âmbito nacional e subversivo.” Sobrinho do pastor José, o advogado José Sucasas Hubaix, que mora em Além Paraíba (MG), conta que defendeu muitos perseguidos políticos durante a ditadura e não sabia que o tio havia delatado um metodista. “Estou decepcionado. Sabia que alguns evangélicos não faziam oposição aos militares, mas daí a entregar um irmão de fé é uma grande diferença.”
Nenhum religioso, porém, parece superar a obediência canina ao regime militar do pastor batista Roberto Pontuschka, capelão do Exército que à noite torturava os presos e de dia visitava celas distribuindo o “Novo Testamento”. O teólogo Leonildo Silveira Campos, que era seminarista na Igreja Presbiteriana Independente e ficou dez dias encarcerado nas dependências da Operação Bandeirante (Oban), em São Paulo, em 1969, não esquece o modus operandi de Pontuschka. “Um dia bateram na cela: ‘Quem é o seminarista que está aqui?’”, conta ele, 21 anos à época. “De terno e gravata, ele se apresentou como capelão e disse que trazia uma “Bíblia” para eu ler para os comunistas f.d.p. e tentar converter alguém.” O capelão chegou a ser questionado por um encarcerado se não tinha vergonha de torturar e tentar evangelizar. Como resposta, o pastor batista afirmou, apontando para uma pistola debaixo do paletó: “Para os que desejam se converter, eu tenho a palavra de Deus. Para quem não quiser, há outras alternativas.” Segundo o professor Maurício Nacib Pontuschka, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo, seu tio, o pastor-torturador, está vivo, mas os dois não têm contato. O sobrinho também não tinha conhecimento das histórias escabrosas do parente. “É assustador. Abomino tortura, vai contra tudo o que ensino no dia a dia”, afirma. “É triste ficar sabendo que um familiar fez coisas horríveis como essa.”
Professor de sociologia da religião na Umesp, Campos, 64 anos, tem uma marca de queimadura no polegar e no indicador da mão esquerda produzida por descargas elétricas. “Enrolavam fios na nossa mão e descarregavam eletricidade”, conta. Uma carta escrita por ele a um amigo, na qual relata a sua participação em movimentos estudantis, o levou à prisão. “Fui acordado à 1h por uma metralhadora encostada na barriga.” Solto por falta de provas, foi tachado de subversivo e perdeu o emprego em um banco. A assistente social e professora aposentada Tomiko Born, 79 anos, ligada a movimentos estudantis cristãos, também acredita que pode ter sido demitida por conta de sua ideologia. Em meados dos anos 60, Tomiko, que pertencia à Igreja Evangélica Holiness do Brasil, fundada pelo pai dela e outros imigrantes japoneses, participou de algumas reuniões ecumênicas no Exterior. Em 1970, de volta ao Brasil, foi acusada de pertencer a movimentos subversivos internacionais pelo presidente da Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor, onde trabalhava. Não foi presa, mas conviveu com o fantasma do aparelho repressor. “Meu pesadelo era que o meu nome estivesse no caderninho de endereço de alguma pessoa presa”, conta.
Parte da história desses cristãos aterrissará no Brasil na terça-feira 14, emaranhada no mais de um milhão de páginas do Projeto Brasil: Nunca Mais repatriadas pelo Conselho Mundial de Igrejas. Não que algum deles tenha conseguido esquecer, durante um dia sequer, aqueles anos tão intensos, de picos de utopia e desespero, sustentados pela fé que muitos ainda nutrem. Para seguir em frente, Anivaldo Padilha trilhou o caminho do perdão – tanto dos delatores quanto dos torturadores. Em 1983, ele encontrou um de seus torturadores em um baile de Carnaval. “Você quis me matar, seu f.d.p., mas eu estou vivo aqui”, pensou, antes de virar as costas. Enquanto o mineiro, que colabora com uma entidade ecumênica focada na defesa de direitos, cutuca suas memórias, uma lágrima desce do lado direito de seu rosto e, depois de enxuta, dá vez para outra, no esquerdo. Um choro tão contido e vívido quanto suas lembranças e sua dor.
Confira matéria completa no site da IstoÉ aqui

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Confira o pronunciamento da Igreja Metodista sobre a PL 122



O Colégio Episcopal da Igreja Metodista divulgou hoje, 10, um pronunciamento oficial sobre o Projeto de Lei 122. O texto tramita no Senado Federal e prevê punições para quem impedir, por exemplo, manifestações de afetividade entre pessoas homossexuais em locais públicos, quem recusar ou sobretaxar a compra ou a locação de imóveis em razão de preconceito, ou quem, pelo mesmo motivo, prejudicar recrutamento, promoção profissional ou seleção educacional.

Para a Igreja Metodista, a liberdade é um dos principais pilares da sociedade e só é possível vivê-la se houver a concretização da liberdade de consciência e expressão. O projeto, portanto, incita a discriminação ao promover censura da consciência e da expressão e promove a violência, pois defende a liberdade para um grupo em detrimento de outros.
A Igreja Metodista manifesta:

• Discordância com relação ao Projeto de Lei 122/2006 por ferir os preceitos Constitucionais à luz do direito humano de “pensar e deixar pensar”, ou seja, “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”.

• Considerando os preceitos e ensinos da Bíblia e da Igreja, reafirmamos a nossa posição contrária à prática do homossexualismo. Ao mesmo tempo, enfatizamos a importância de uma pastoral acolhedora e amorosa, anunciando a mensagem reconciliadora e transformadora do Evangelho em termos de arrependimento e nova vida anunciada por Cristo Jesus.

• Destacamos o nosso compromisso evangélico com a paz, pelo que nos levantamos contra todo tipo de violência. Somos pelo desarmamento, pela proteção da criança para que não seja violentada, pelo enfretamento de toda violência contra a mulher. Nada pode justificar a violência, pois os pacificadores é que “serão chamados filhos de Deus”. (Jesus, in Mateus 5.9)

• Ressaltamos que a Igreja não aceita a homofobia e abomina toda e qualquer perseguição à qualquer ser humano por conta do seu estilo de vida, da mesma forma que não podemos nos calar diante de qualquer situação que agrida a dignidade da vida.
A Igreja Metodista conclama:

• As nossas autoridades legislativas para que tenham sensibilidade, à luz dos preceitos Constitucionais, pela não aprovação da PL 122/2006 nos termos propostos. Entendemos que dentro de uma sociedade democrática temos que garantir o direito inviolável à liberdade de consciência, de crença e expressão.

• O povo metodista manifesta-se, através dos meios de comunicação e de relacionamento da Igreja e fora dela, contrariamente ao Projeto de Lei, orando para que Deus dê discernimento aos nossos legisladores.

São Paulo, 10 de junho de 2011
Bispo Adonias Pereira do Lago
Secretário do Colégio Episcopal
Igreja Metodista

Bispo João Carlos Lopes
Presidente do Colégio Episcopal
Igreja Metodista

Apresentação

Graça e paz queridos,

            A fim de cumprir o chamado que Deus me deu, que é o denunciar o pecado e anunciar as boas novas, criei esse espaço para compartilhar com os irmãos em Cristo o amor e a fidelidade de Deus em nossas vidas.
            Conhecemos por intermédio da Bíblia Sagrada a palavra Aba Pai, onde Jesus se sentiu de tal forma e com tal intensidade vinculado a Deus, que só conseguiu expressar-se utilizando a categoria da filiação, ou seja, Ele se dirige a Deus chamando-O de Aba.
            Aba, (me refiro agora ao nome do Blog) nada mais é que as iniciais do meu nome (Abel Barbosa Apicella); Já a palavra filho, é o reconhecimento que sou totalmente dependente de Deus.
            Sou membro da Igreja Metodista em Carapebus, meu Pastor é o Rev. Alex Sandro de Oliveira, sou formado em Evangelista e Missões pela IMForM – Instituto Metodista de Formação Missionária – (www.escolademissoes.org.br).
            Tenha fé, Deus está contigo!



Abel Barbosa Apicella