Joel 2.28-32
Quando falamos sobre Pentecostes, imediatamente nos lembramos do ocorrido em Atos 2.1-4 onde fala da descida do Espírito Santo sobre os discípulos. Mas pensando bem, a descida do Espírito Santo não poderia ter vindo num momento mais oportuno. Pois, apesar da Festa de Pentecostes ser uma das principais festas judaicas da época, reunindo várias pessoas de diversas parte do mundo antigo, trazia a lembrança de um período abençoado por Deus, isto é, a colheita do ano todo. O Pentecostes é celebrado 50 dias depois da Páscoa (Libertação) e no calendário cristão é uma data marcante. Esse acontecimento tinha que ocorrer no Pentecostes (Festa da Colheita). Foi a primeira colheita da Igreja depois que o SENHOR derramou do seu Espírito.
O livro do profeta Joel relata um ambiente de seca onde não havia o que colher, onde a fome reinava. Um ambiente totalmente desfavorável para o povo de Deus. Relata também que a relação do povo com Deus estava abalada de tal forma que Deus planeja o castigo por conta do pecado. O profeta chama o povo a se arrepender e voltar para o SENHOR. Deus promete restaurar a sorte de seu povo. O que mais me chama atenção é que no livro de Joel não aparecem vestígios de data e de tempo que o livro foi escrito. Muitos teólogos sugerem algumas datas, mas pensando nisto imagino que essa mensagem veio no Tempo de Deus assim como o Espírito Santo veio no Tempo de Deus em Atos. Quando falamos que Pentecostes é tempo de restauração devemos considerar que:
- Assim como em Atos, a celebração tinha perdido o seu sentido. Tinha se transformado em algo comercial, turística e não uma celebração ao SENHOR Deus como o próprio prediz em Êxodo 23.14: "Três vezes no ano me celebrareis". Deus estava restaurando o verdadeiro motivo da celebração: Ele mesmo. Muitas vezes vamos a igreja sem motivos para celebrar. Precisamos reconhecer que não vamos ao templo celebrar o pregador, o ministério de louvor, o pastor. Vamos ao templo celebrar ao SENHOR Deus. Somente o Espírito de Deus pode nos convencer disso. As pessoas em Atos ouviam as grandezas de Deus em suas línguas maternas (Atos 2.11). As grandezas de Deus são anunciadas e o motivo de estar ali muda.
- Deus estava restaurando a comunicação com o povo. O nosso Deus é um Deus que fala. O Espírito Santo fala. Ele não é um Deus mudo, mas bastante comunicativo e audível. Mas só o escuta que tem ouvidos para o que Ele quer falar ("Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas" Ap 2.29). Creio que muitas pessoas estavam ali em Jerusalém com o coração sincero e os "ouvidos espirituais" abertos para ouvir Deus falar. Naquele dia, Deus, não somente derramou da sua presença, mas se comunicou com seu povo. Lembramos de Joel: "... vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões." A promessa, depois do derramar do Espírito, inicia restaurando o que falamos e ouvimos (profecia), restaura o coração (símbolo por onde passa nossos sentimentos), restaura nossa alma (os sonhos que vem da nossa mente, onde segundo a cultura greco-romana, é a nossa alma), restaura o nosso modo de ver a vida (nossa visão). Veremos como Deus vê e não como as circunstâncias nos mostram.
- Não há acepção de pessoas. O Espírito Santo é derramado sobre quem Ele quer. Só há um pré requisito: coração quebrantado diante do SENHOR. Tanto em Atos como em Joel, Deus não deixa ninguém de fora. Servos, servas, mulheres, homens, crianças, jovens, idosos. Todos recebem. Neste ato Deus restaura o poder da igualdade e da comunhão. No poder do Espírito ninguém é melhor do que o outro. Somos todos um.
Quando deixamos Deus fazer da forma que Ele quer, a colheita será sempre abundante. Quando celebramos o Pentecostes estamos celebrando o SENHOR Deus que nos libertou da escravidão e que restaura a nossa sorte. Se estivermos abertos ao Espírito Santo seremos restaurados por Ele. E não precisa ser no dia de Pentecostes, pois o Tempo de Deus restaurar nossa vida passou de um tempo determinado para todos os dias.
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